terça-feira, 30 de junho de 2009

Mestre Tiburcinho: batuque, capoeira e o que mais o recôncavo tivesse


Mestre Tiburcinho, também conhecido como Tibúrcio de Jaguaripe, é lembrado entre poucos capoeiristas (infelizmente, poucos capoeiristas mesmo hoje em dia) como um mestre de batuque. Mas ele também foi um grande mestre de capoeira e figura importante da cultura popular brasileira.
Tibúrcio José de Santana nasceu por volta de 1870 em Jaguaripe. Aprendeu o batuque com Mestre Bernardo, ali no Recôncavo mesmo. Foi um grande batuqueiro e um dos últimos a preservar essa arte (o batuque era uma luta/dança parecida com a capoeira, onde os jogadores usavam as pernas para desequilibrar o adversário, jogada ao som de músicas, ritmada por pandeiros e bastante violenta, uma vez que muitos golpes tentavam acertar a região genital ).
Chegou em Salvador de saveiro, como a maioria dos trabalhadores da região. Conheceu a capoeira de Salvador no Mercado Popular e se enturmou com os capoeiristas locais, se tornando um deles. Ficou famoso nas rodas de capoeira pela sua habilidade.
Depois de algum tempo, Mestre Tiburcinho começou a freqüentar a academia de Mestre Pastinha e era muito visto por lá. Com mais de 80 anos, era um capoeirista malicioso, mandingueiro, perigoso. Cantava sempre músicas da outra luta que praticava, mantendo-as vivas, como:
Ê loandê... Tiririca é faca de cortá... num me corta molequinho de sinhá...
Outro fato importante para a cultura brasileira é que foi Mestre Tiburcinho, levado a Mestre Bimba por Mestre Decânio, quem ajudou o famoso criador da Capoeira Regional a lembrar-se de muitas cantigas e até coreografias de maculelê. Graças a esse encontro, Mestre Bimba começou a colocar o maculelê em apresentações com seu grupo (o que fez com que o maculelê fosse estudado e apresentado por vários grupos de capoeira até hoje). Se o batuque Mestre Tiburcinho não conseguiu manter vivo, a "redescoberta" do maculelê teve uma grande força dele.
Esse grande Mestre participou do “Dança de Guerra”, filme de Jair Moura. É citado entre outros capoeiristas no livro “Tenda dos Milagres”. E a gente faz questão de lembrar o nome dele por aqui.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Santo Antonio, São João e São Pedro


Vamos comemorar nossa festa junina neste sábado, dia 27, a partir das 14h00. Apareça.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Gingando no Museu de Arte de São Paulo


Nossos alunos têm contato direto e diário com a arte popular, a cultura popular. Mas não só isso. Na nossa Escola, as crianças também têm contato com artes plásticas, do tipo que as pessoas costumam rotular de "alta cultura". A Frederica, uma das nossas educadoras, uma vez por semana passa aos alunos um pouco da história das artes e faz oficinas com eles. Por isso, quando fomos ao MASP conhecer a exposição do Vik Muniz, nossos pequenos capoeiristas se identificaram com o que viram. A Raquel, que nunca tinha pisado em um museu, disse que achou "tudo muito lindo". A Saracura gostou de uma obra feita com brinquedos e mostrando um soldado: "uma crítica à guerra". Muitos gostaram da Monalisa feita com geléia e doce de leite ("mas não era do Leonardo da Vinci?"). Com a ajuda da Frederica, técnicas e conceitos foram explicados. E o MASP foi mais um passo para formar esses nossos pequenos artistas.

domingo, 14 de junho de 2009

Nossos antepassados



Devemos sempre lembrar daqueles que vieram antes de nós. A capoeira só está por aqui hoje graças a muitos nomes do passado. Ao entrar na roda devemos agradecer a todos, desde o primeiro africano que, escravizado, chegou ao nosso país trazendo sua cultura e inteligência até nosso companheiro de jogo.
Nas rodas de capoeira lembramos sempre de Mestre Pastinha, Mestre Waldemar e Mestre Bimba. Mas, além deles, muitos outros fizeram parte da capoeira. Nomes desconhecidos, que se perderam no tempo, de gente que deu seu suor e muitas vezes seu sangue pela nossa arte. Para nossa sorte, alguns ficaram mais famosos e foram registrados.

Aqui temos alguns nomes, de Salvador, no começo do século XX:

Age Pintor (Pau da Bandeira, Rua do Chile), Agostinho Ponta, Alfredo, Algemiro Grande Olho de Pombo (estivador na zona marítima, muito temido), Amaralina, Amorzinho Guarda, Antoninho da Barra (Açougueiro), Antônio Boca de Porco (estivador Julião), Antônio Coró (carroceiro do Cais Dourado), Antônio Galindeu (mestre de lancha de Cachoeira de Paraguaçu), Augustinho Pantalona (mestre de Avarengueiro), Avarengueiro, Balbino Carroceiro (Cais Dourado), Barbosa (carregador de canto, do largo Dois de Julho), Bardelha, Basílio (carregador da rampa do Mercado Modelo), Bedaço, Bemor do Correio Federal (marinheiro do Ministério da Guerra), Benedito Cão (Engenho Velho de Brotas), Bento Grande de Brotas (que usava moletas como disfarce), Bilusca Pescador de Barra Fora (da Preguiça), Boca do Rio, Bonome, Caboquinho Estivador (cais do Porto Julião), Cândido da Costa (Cândido Pequeno: argolinha de ouro, campeão baiano e mestre de Noronha), Cara Queimada, Chico Me Dá Me Dá, Chico Três pedaços (vendedor de peixe no Mercado Santa Bárbara, Baixa do Sapateiro), Cimento de Itapoã (pescador de Barra Fora, Itapoã), Daniel Coutinho Noronha (Noronha), Ducinha, Ecavino, Edigar Carrocinha (sapateiro do Maciel de Baixo), Espírito de Porco, Estevinho Pequeno, Estivador, Fausto Grande, Feliciano Bigode de Seda (carregador, lá do Pilar), Galo do Bozó, Gasolina Pescador, Geraldo Chapeleiro (ladeira do Tabohã), Geraldo Pé de Abelha (engraxate, Mercado Modelo), Governador (carregador do Cais), Henrique, Hilário Chapeleiro (pai de santo, Itapoã), Inocêncio Duas Mortes (cabo eleitoral, de Boa Viagem), Júlio Cabeça de Leitoa, Juvenal Engraxate (Mercado Modelo), Lamite Carregador (o grande Lamite, diminutivo de Dinamite, respeitado até pela polícia, homem que encabeçava uma das festas da escadaria do Cais do Ouro, Pilar) Livino Boca da Barra (o Malvadeza), Lona Grande, Lúcio Pequeno (Trapicheiro, da Praia da Preguiça), Macaco, Marco Pequeno, Maré, Nouzinho da Caroagem, Onça Preta, Paquete do Cabula, Pedro Mineiro (carregador, da Praça da Sé), Pedro Porrêta (vendedor de peixe no Mercado Santa Bárbara e trapicheiro no Pilar), Pedro Trinta e Um (carregador, do Maciel de Baixo), Percílio (engraxate, Mercado Modelo), Pesado, Piedade (carregador, raça da Sé), Piroça (vendedor de peixe, Mercado Santa Bárbara, Baixa do Sapateiro), Primo Estivador, Raimundo ABR. (pedreiro, Santa Casa de Misericórdia), Ranzino, Ricardo do Cais do Porto (Doca da Bahia), Samoel Grande da Calçada (carpinteiro), Samuel Pescador de Barra Fora (rampa do Modelo), Sargento do Izeito Odean, Sete Mortes, Simão Diabo, Suriano, Taviano (carregador do Cais), Tibirí Focinho de Porco (condutor de bonde de burro, Correio Nacional), Tibujú Boca de Arraia, Totonho de Maré (estivador, Cais do Porto), Vermelho, Verpó (estivador, cais do Porto Julião), Viarço Pequeno (Carvão de Pedra, Areia do Sete), Victor H.U. da Curva Grande (pescador de Barra Fora, Rio Vermelho), Ximba Cabo da Escradão e Zehi.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Direitos




Todos os dias da semana temos aqui na nossa Escola 40 crianças e adolescentes. Nossos princípios aqui são baseados em uma série de ensinamentos. A tradição da capoeira, o respeito aos mais velhos que produzem a cultura popular, o respeito aos livros e à leitura.
E, principalmente, o respeito ao Estatuto da Criança e Adolescente. Por isso, colocamos também aqui no blog, com a ajuda do Mauricio de Souza e da Turma da Mônica, um pouquinho disso.





quarta-feira, 13 de maio de 2009

Por que COMPRAR um CD de capoeira?


Esse texto é para os capoeiristas. Hoje está cada vez mais fácil conseguir CDs piratas de capoeira. Ou até mesmo baixá-los na internet. Então, por que ter um CD original e gastar “fortunas” como 15, 30 ou 40 reais por eles?
Em primeiro lugar, ter um CD de um mestre respeitado nos ajuda a aprender. E muito. A capoeira não existe sem música, sem som. Muitos não têm a oportunidade de estar ao lado desses homens que a produzem ao vivo. Alguns desses CDs são documentos históricos, que ouvidos com cuidado podem dar muitas lições (e que, por isso, estão arquivados em museus nos Estados Unidos, França, Alemanha). Bom, mas escutar e ter as músicas... Isso dá para fazer baixando na internet, né?
Aí entra o segundo ponto. Os CDs de capoeira são produzidos de forma independente. Não são lançados por grandes gravadoras. O dinheiro da venda deles se torna, muitas vezes, a fonte de renda de muitos desses mestres. Mestres que têm o saber, que viveram uma vida toda lutando pela nossa cultura. E que, na maioria das vezes, vivem em condições precárias.
Hoje muitos capoeiristas batem no peito e dizem se revoltar contra a maneira como morreram mestres como Bimba e Pastinha, pobres. Mas vão lá e copiam um CD de um mestre como Ananias, por exemplo. Eles estão ROUBANDO esses mestres.
Na contracorrente existem atitudes nobres. Um grupo de pessoas que nem se conhece direito pessoalmente, se juntou. Compraram gravações antigas (de 1951) de um museu nos Estados Unidos, juntaram com outras gravações de 1989 e fizeram um CD histórico do Mestre Waldemar. E a renda será totalmente revertida para o Mestre Bigodinho em Salvador. É um grupo virtual de amigos, gente da Comunidade Do Mestre Pastinha na Internet. É esse tipo de atitude que devemos tomar como exemplo.

Os CDS que ilustram esse texto podem e devem ser adquiridos. Comente esse texto pedindo algum dos CDs que passaremos os contatos diretos dos mestres.
O CD do Mestre Waldemar pode ser pedido diretamente através do
cdmestrewaldemar@gmail.com

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Escola Cultural Zungu Capoeira: Pontinho de Cultura!



Nosso trabalho com as crianças foi reconhecido. Recebemos o Prêmio Ludicidade Saberes da Infância. Agora, nossa Escola é um Pontinho de Cultura.


Esse reconhecimento que o Ministério da Cultura nos dá é muito importante para que possamos continuar dando nossas aulas diárias aqui no Bixiga. Assim nossas 40 crianças e adolescentes podem continuar com as aulas de capoeira (e tudo que a capoeira oferece), leitura, percussão, história, dança popular, brinquedos e brincadeiras, artes plásticas, inglês.


Foi com muito suor que a gente conquistou isso. E vamos continuar suando bastante para sempre conquistar mais.




sábado, 14 de março de 2009

Do outro lado do mundo


Hoje, dia 14 de março de 2009, alguns membros do Zungu estão indo para a Indonésia. Cacá, dois graduados e nosso amigo Professor Marcelo, do grupo Ngolo Iamuanda.

A gente sabe a responsabilidade que é representar a nossa cultura, o nosso país, lá fora. Nossa família está indo para o evento BRASIL VISITA, uma pequena mostra da nossa cultura naquele país. O Zungu sabe o peso que carrega ao fazer isso. E trabalha para que tudo aconteça da melhor maneira possível.





sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Iniciando com o pé direito


Nossa Escola iniciou o ano da melhor maneira possível: com um passeio ao Museu AfroBrasil agora em fevereiro. Quer lugar melhor para mostrar aos alunos de onde viemos e qual nossa origem? Aquela foi a primeira vez que muitos pisaram em um museu. E, pela alegria deles, com certeza nao será a ultima.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Brinquedos e brincadeiras



Nossa Escola sabe a importância da brincadeira, do brinquedo. Toda criança precisa brincar (até aquelas de 90 anos). Em uma cidade como São Paulo, cheia de cinza e com poucos espaços para a infância, fazer renascer brinquedos e brincadeiras é muito difícil. Mas a gente faz nossa parte, como em uma aula do final do ano passado, que as crianças lembram sempre (e que se repetirá mensalmente).



Nessa primeira aula, construímos alguns brinquedos muito simples e divertidos. No começo, os mais velhos não estavam muito empolgados com a idéia. Mas depois de criar um helicóptero apenas com um pedacinho de papel... Um pára-quedas com saco plástico, linhas e jornais... Bom, aí a história mudou.

A base dessa aula foi um livro muito, muito especial. O livro está na nossa biblioteca e se chama "Barangandão Arco-Íris", do Adelsin. Quem puder, leia e use.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

São Paulo: 455 anos. São Paulo de Luanda (Luanda): 433 anos.



São Paulo completou 455 anos no dia 25 de janeiro. Coincidência ou não, a capital de Angola, Luanda, também faz aniversário no mesmo dia.

Portugueses fundaram São Paulo em um local já habitado por índios. Portugueses fundaram a antiga São Paulo de Luanda onde já existiam muitos moradores nativos.

Luanda é ligada ao Brasil de várias maneiras. Até 1850, foi um dos principais portos de saída de pessoas escravizadas para cá.

O povo da São Paulo do lado de cá deseja feliz aniversário ao povo da São Paulo de lá. E que Luanda e São Paulo, a cada dia que passa, se tornem metrópoles mais humanas.

Parabéns.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

PERFIL: Juvenal Engraxate, esse ilustre desconhecido



Fotografado por Pierre Verger. Citado como um dos mais ágeis e perigosos capoeiristas por escritores e pesquisadores do porte de Jorge Amado, Odorico Tavares, Edison Carneiro, Waldeloir Rego. Presente nas listas dos bambas da Bahia da década de 40, feitas pelos velhos capoeiristas. Tudo isso se passou com Juvenal Engraxate. Mas quem foi esse mestre?
Pouco se sabe sobre ele hoje. Vamos ao que é fato: ele era jovem no início da década de 40, com pouco mais de 20 anos. Jogava principalmente na antiga Rampa do Mercado (Mercado Modelo mesmo, o antigo). De acordo com o escritor Odorico Tavares, Juvenal tinha um barracão onde aconteciam rodas de capoeira, lá no Chame-Chame.
Entre seus colegas de vadiação estava Samuel Querido de Deus, muitos anos mais velho que ele. Pelo jeito, o temido Querido de Deus devia respeitar muito o jovem Juvenal, uma vez que ao ser chamado para uma exibição, escalou o amigo para ser seu parceiro na demonstração. Outra coisa que sabemos com certeza, é claro, é sua profissão.
Mas quem foi seu mestre? De acordo com o relato oral de um antigo mestre, ele era “da turma de Waldemar”. Mas isso não quer dizer que Waldemar foi seu mestre. Se ele deixou discípulos, não sabemos ainda. Sempre alinhado, Mestre Juvenal Engraxate também não ficou tão famoso quanto Bimba, Pastinha ou mesmo Waldemar. Mas foi um dos grandes da Bahia na década de 40, como podemos ver nos textos de Jorge Amado sobre seu colega Samuel:

“...porém ainda assim, não há melhor jogador de capoeira, pelas festas de Nossa Senhora da Conceição da Praia, na primeira semana de dezembro, que o Querido de Deus. Que venha Juvenal, jovem de vinte anos, que venha o mais ágil, o mais técnico...”


“Dois cinematografistas queriam filmar uma luta de capoeira. Samuel chegara da pescaria, dez dias no mar e trazia ainda nos olhos um resto de vento sul. Prontificou-se. Fomos em busca de Juvenal. E, com as máquinas de som e de filmagem, dirigimo-nos todos para a Feira de Água dos Meninos. A luta começou e foi soberba. Os cinematografistas rodavam suas máquinas. Quando tudo terminou, Juvenal estendido na areia, Samuel sorrindo, o mais velho dos operadores perguntou quanto era. Samuel disse uma soma absurda na sua língua atrapalhada. Fora quanto os americanos haviam pago para vê-lo lutar. O escritor explicou então que aqueles eram cinematografistas brasileiros, gente pobre. Samuel Querido de Deus abriu os dentes num sorriso compreensivo. Disse que não era nada e convidou todo mundo para comer sarapatel no botequim em frente.”

Poucos capoeiristas hoje em dia já ouviram falar de Juvenal Engraxate. Mas ele é mais um mestre que o Zungu não vai deixar esquecido.


FOTOS: PIERRE FATUMBI VERGER (entre 1946 e 1947)

SE ALGUÉM TIVER MAIS INFORMAÇÕES SOBRE JUVENAL, SEU MESTRE OU SEUS DISCÍPULOS, FAVOR ENTRAR EM CONTATO CONOSCO.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

2009

Atrasados, mas nem tanto. É assim que desejamos um feliz 2009 a todos. Dois mil e oito foi um ano duro, mas cheio de conquistas. Nossa casa e nosso trabalho com a capoeira e a cultura popular se firmando: eventos, cursos, festas, rodas, aulas e aulas diárias. Nossas amizades se expandindo: Bahia, Rio de Janeiro, Espírito Santo, INDONÉSIA e aqui em São Paulo mesmo.
Foram 365 dias de raça e trabalho árduo, mas que se tornou menos pesado porque pudemos contar com a ajuda de muita gente, em especial:
- Familiares;
- Amigos;
- As crianças;
- Antigos mestres que nos apóiam, como Mestre Ananias e Mestre Bigo;
- Capoeiristas amigos (vocês sabem quem são);
- Creche São Francisco de Assis;
- Voluntários;
- Doadores da ONG (entre eles, agradecemos a um aluno da Pamplona que fez a diferença);
- Standard and Poor's;
- Interação (pelos uniformes das crianças);
- Todo o povo da Bela Vista;
- Nossos antepassados;
- Aqueles em que cada um acredita e tem fé, independente de religião.

A todos que estiveram com a gente em 2008 nas rodas de capoeira, na ONG, no samba, aqui no blog ou em pensamento, desejamos um novo ano sensacional. Dois mil e nove já começou há duas semanas. Com o pé direito para todos nós.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

As fotos do II ENCONTRO NACIONAL ZUNGU CAPOEIRA: PLANTANDO SEMENTES

Um pouquinho, bem pouco, do nosso PLANTANDO SEMENTES. Agora, em imagens.










terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Aconteceu 2: II ENCONTRO NACIONAL ZUNGU CAPOEIRA: PLANTANDO SEMENTES


30, 31 de outubro, 1 e 2 de novembro de 2009.
Foram quatro dias de evento voltado para as crianças. Tudo na Bela Vista e proximidades.
Vamos a um pequeno resumo (as fotos vêm depois)...
30 de outubro:
Começamos com uma palestra cujo tema foi CAPOEIRA, ESCRAVIDÃO E O BIXIGA NA SÃO PAULO DO SÉCULO XIX. Depois de uma exposição de fotos e das palavras do palestrante, começou o samba-de-roda.
31 de outubro:
Aula para as crianças na Creche São Francisco. Brincadeiras com capoeira, diversão e uma bela roda onde os pequenos foram batizados e ganharam suas primeiras graduações. O Contra-Mestre Renan foi nosso convidado especial nesse aulão, que arrancou muitos elogios e sorrisos. Mestre Bigo já estava conosco, dando uma força mais que especial.
À noite, sob o comando do Mestre Bigo e do Cacá, uma roda de capoeira com nossos convidados aconteceu no nosso Zungu.
1 de novembro:
Oficina de Capoeira Angola com Mestre Bigo, na quadra do Colégio Rodrigues Alves, durante a manhã. A aula se encerrou com uma bela roda.
Na parte da tarde, aula de ritmo e dança afro com Mestre Macumba, vindo de Salvador só para isso. Começamos o afoxé nesse dia.
Mais tarde, Mestre Klaity mostrou a todos os educadores (e às crianças presentes) maneiras de se trabalhar com crianças.
Teve início outra roda de capoeira com professores, contra-mestres e mestres convidados. Nessa roda, também aconteceram trocas de graduações.
2 de novembro:
O dia começou animado. Enquanto esperávamos o almoço preparado pelo Pai Francisco de Oxum (que explicou às crianças o valor e a história dos alimentos de origem afro), Mestre Ananias e seus discípulos fizeram o samba comer solto.
Depois, sairia nosso Afoxé. Mas a chuva não ajudou- ou melhor, ajudou, sim. Porque não saímos, ficamos no Zungu e fizemos o afoxé lá dentro: a energia foi tão boa que teve gente que agradeceu à água que caiu.
Ainda nesse dia, tivemos a roda de encerramento, sob o comando do Mestre Ananias. Uma roda muito especial e inesquecível.
Foram 4 dias onde pudemos mostrar às crianças um pouco da nossa cultura, trocar informações com gente vinda de vários estados (Bahia, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais) e, o que é mais importante: festejar. Mais uma vez tivemos a certeza de que estamos no caminho certo.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Aconteceu 1: OFICINA DE CAXIXI COM MESTRE BIGO

Nosso blog tem demorado a se atualizar. Mas garantimos que isso vai mudar. Para começar, vamos registrar algumas coisas que JÁ aconteceram no nosso Zungu nesse segundo semestre.





04 DE SETEMBRO:
A Oficina de Caxixi com nosso querido Mestre Bigo foi um sucesso. Com a atenção e humildade que só esse discípulo de Mestre Pastinha tem, crianças e adultos conseguiram fazer seus caxixis, além de poderem conviver um pouquinho com essa pessoa fantástica que é o Mestre Bigo. Agradecemos também ao Rafael (Banda) que veio dar uma força ao Mestre.

sábado, 30 de agosto de 2008

O berimbau já tocava no Bixiga há mais de 100 anos


Nosso Zungu está localizado na Bela Vista, nas margens do Bixiga. Região histórica de presença negra em São Paulo. Perto da tradicional e querida Vai-Vai. Próximo de outros capoeiristas. Colado a uma região que já abrigou o Quilombo da Saracura (para quem não sabe, onde hoje corre a Avenida 9 de Julho, corria o Riacho da Saracura).
A ancestralidade negra da região está mais do que provada.
Em mais uma pesquisa, encontramos no jornal CORREIO PAULISTANO, de 1907, uma matéria que alguns trechos vamos reproduzir:

"É um pedaço da África. As relíquias da pobre raça impellida pela civilização cosmopolita que invadiu a cidade, ao depois de 88, foi dar alli naquela furna. Uma linha de casebres borda as margens do riacho. O valle é fundo e estreito...
... Cabras soltas na estrada, pretinhos semi-nus fazendo gaiolas, chibarros de longa barba ao pé dos velhos de carapinha embranquecida e lábio grosso de que pende o cachimbo, dão áquelle recanto uns ares do Congo. Alli pae Antonio, cujas mandingas celebram os supersticiosos de Pinheiros, de Santo Amaro, da várzea e até do Tabôa, pratica os seus mysterios e tange o urucungo, apoiando ao ventre rugoso e despido a cabaça resonanta. As casas são pequenas; as portas baixas...
... os que vieram nos navios negreiros, que plantaram o café, que cevaram este solo de suor e lágrimas, accumulados alli, como o rebutalho da cidade, no fundo lobrego de um valle."

Sim, em 1907, um senhor mandingueiro (de acordo com o texto, um feiticeiro poderoso) já tocava seu berimbau (urucungo) pertinho da gente. Provavelmente em um outro zungu, ancestral ao nosso.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Ladainha 2

Ie!
O mundo de Deus é grande
Deus traz numa mão fechada
O pouco com Deus é muito
O muito sem Deus é nada
Noite de escuro não serve
pra caçar de madrugada
Caçador dá muito tiro
De manhã não acha nada
Veado corre é pulando
Cotia corre é na trilha
Se eu fosse governador
Ou manobrasse a Bahia
Isso que marujo faz
Comigo ele não faria
Camaradinha!.....

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Biblioteca inaugurada com festa



No sábado, dia 16 de agosto, nossa biblioteca finalmente foi inaugurada. O dia começou com uma faxina na casa, promovida pelos funcionários da Standard and Poor´s. Depois disso, começou a organização da biblioteca: limpar os livros, catalogar, colocar nas prateleiras. Ao mesmo tempo, a família Zungu brincava com os voluntários da empresa, mostrando como se toca um berimbau e até mesmo chamando todos para uma roda. No final, o angu foi servido e o samba foi até tarde.
Obrigado ao pessoal da Standard and Poor´s (em especial à Heloisa Kiessling e à responsável por tudo, Regina Nunes) por serem nossos parceiros, fazerem parte da nossa família e terem colocado de pé o sonho da biblioteca para a comunidade.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Biblioteca nova no Bixiga


Sábado, dia 16 de agosto, nossa ONG inaugura sua biblioteca. São centenas de livros, gibis e revistas para as crianças, adolescentes e até adultos se aproximarem da literatura.
Com a ajuda dos nossos parceiros da Standard & Poor´s, uma multinacional que apóia inciativas sociais no mundo todo e que tem contribuído em muito para melhorar as coisas por aqui (principalmente graças à sua Presidente, a senhora Regina Nunes), nossos educadores e alunos farão um pequeno evento para marcar essa data. Quem gostar de leitura (ou de capoeira) será bem-vindo.

Local: Almirante Marques Leão, 787
Horário: a partir das 12h00 para os convidados

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Ladainha 1

A partir de hoje, publicaremos algumas ladainhas. Principalmente aquelas nas quais os ouvintes "mudernos" não conseguem entender em detalhes o que o cantador disse.
Para inaugurar, nada melhor do que uma cantada pelo sensacional Mestre Waldemar na famosa gravação dele com Mestre Canjiquinha.
Ah! E se você tem dúvida sobre alguma letra, mande um comentário que podemos colocá-la aqui. Axé.




Quando vê cobra assanhada,
Não bote o pé na rodilha
A cobra assanhada morde
Se eu fosse cobra, mordia.

Cachorro que engole osso,
Nalguma coisa se fia
Ou na goela, ou na garganta,
Ou em outra freguesia.

Prenderam Pedro Mineiro
Dentro da secretaria
Para dar depoimento
Daquilo que não sabia

Camaradinha...

Terimah Kasih !

A frase acima quer dizer OBRIGADO na Indonésia. E é isso que a Escola Cultural Zungu Capoeira quer dizer ao povo daquele país tão especial.
Em junho, Cacá esteve lá pela segunda vez em um grande evento de capoeira.
Pôde reencontrar antigos amigos, fortalecer nosso Zungu no outro lado do mundo, rever seus alunos Iaco (5 Segundos) e Lilica e ainda se certificar de que os indonésios estão a cada dia mais apaixonados pela capoeira.

O evento foi organizado pela Lilica (ex-Mandinga Brasileira, que agora está se tornando ZUNGU) e pelo 5 segundos (ZUNGU), que trabalham com a capoeira na ilha de Surabaya. Junto com o evento de capoeira/batizado, houve também o evento da Embaixada Brasileira para divulgar nossa cultura, chamado “Journey through Brazil.” Festa junina, barracas de jogos, comida típica brasileira, samba e uma mostra de filmes/fotos mostraram um pouquinho do que o nosso país tem a oferecer.

Cacá deu aulas, workshops, entrevistas, palestras e ajudou regar ainda mais a planta da capoeira por lá, cuja semente ele ajudou a colocar naquela terra.

Participaram da capoeira, num grande clima de amizade, diversos grupos que têm trabalho no país: Axé Capoeira, Senzala Bali, Quizumba, Argola de Ouro e Capoeira Surabaya (além, é claro, do antigo Mandinga Brasileira que foi o organizador do batizado).

Obrigado, Indonésia.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Capoeira em São Paulo? Desde quando?


Nosso Zungu conta com uma grande equipe. Entre essas pessoas se encontra um pesquisador, que faz questão de divulgar seu mais recente achado: um texto histórico para os capoeiristas de São Paulo (e do Brasil).

Votou a Câmara Municipal de São Paulo, a 14 de janeiro de 1833: Toda a pessoa que nas praças,ruas ,casas públicas, ou em qualquer outro lugar também público, praticar o exercer o jogo denominado de —capoeiras — ou qualquer outro gênero de lucta; sendo livre será preso por 3 dias, e pagará a multa de 1 a 3$000 réis e sendo captiva,será também presa por 24 horas, e sofrerá pena de 25 a 50 açoites.
Votaram contra a pena dos açoites aos escravos srs. Lopes, e Santos.


Bom, se dependesse dos srs Lopes e Santos, pelo menos chibatadas a gente não ia levar.



Imagem 1: São Paulo, fim do século XIX. Fotografia de Militão Augusto de Azevedo.

Imagem 2: São Paulo, 1862. Fotografia de Militão Augusto de Azevedo.